Em pleno mês de Agosto, 7 Índios do Monte voltaram a dizer não ao sedentarismo e apresentaram-se ao serviço para se subjugarem ao croquis apresentado durante a semana passada. Os Trilhos d’Esmeriz, versão 2010, serviu de esboço para a tribo preencher mais uma manhã de Domingo.
No terreno, o grupo abraçou a ideia na zona de Belêco e percorreu as primeiras linhas condutoras deste trajecto por trilhos já conhecidos. Para surpresa geral, a Natureza presenteou a tribo com cenários novos e deslumbrantes em terrenos muito próximos daqueles que já havíamos percorrido noutros passeios.
Um dos momentos do dia registou-se na escadaria da Igreja de S. Miguel-O-Anjo, em Calendário, onde um índio deixou em espanto as testemunhas que não contavam com um «espectáculo» naquele local de culto.
O passeio, a rondar os 40 quilómetros, conduziu-nos ainda, e como o próprio nome do passeio indicia, pela zona de Esmeriz, onde fomos obrigados a “atalhar” para regressar a casa a tempo de cumprir o habitual ritual de convívio no café S. José…
Desde a Idade Média, por disposição papal, que se celebra o Jacobeu ou Ano Santo quando o dia 25 de Julho (dia do apóstolo Santiago Maior) coincide com um Domingo. Para honrar esta data, o passeio deste dia foi direccionado para uma freguesia também denominada S. Tiago (da Cruz), onde se iniciou verdadeiramente a nossa cruzada pelos montes circundantes (Lemenhe, Jesufrei e Arnoso de Santa Eulália).
A review à Quinta do Caracol, num regresso prometido, permitiu uma visita mais demorada pela zona. A passagem pela piscina, agora cheia de água com uma temperatura estimulante a convidar ao mergulho, antecedeu a paragem para reforço energético no terreno do caracol propriamente dito, cuja espiral reencaminhou momentaneamente as nossas mentes para os tempos das nossas infâncias…
O mote estava dado e os 6 Índios do Monte que compareceram à chamada tiveram oportunidade de desfrutar de excelentes trilhos e paisagens bastante agradáveis, com imensa sombra a acalmar o forte calor que hoje se fez sentir.
Antes do regresso a Ribeirão, os elementos da tribo confiaram no GPS e percorreram novos trilhos desde Nine, com passagem pelo monte de Fralães e Viatodos (concelho de Barcelos).
Como vem sendo habitual desde há umas semanas, a minha ausência não me permite reportar com o devido conhecimento de causa as aventuras dos Índios do Monte. Algumas pessoas que nos vão acompanhando “on line” sugerem-me que as crónicas estão… diferentes! Como é natural, não me parece pertinente dar maior relevo aos factos que presencio durante o convívio no final de cada jornada na esplanada do café, dado que a minha presença se remete a esse pequeno espaço de tempo… Neste sentido, apenas posso escrever sobre aquilo que ouço…
À surdina, vão surgindo pequenos comentários que parecem sugerir algumas divertidas picardias entre os elementos do grupo. Subidas que parecem paredes, contra-relógios e sprints começam a fazer parte do quotidiano dos Índios do Monte… Apraz-me pensar que estes “picanços de corridas loucas” não se traduzirão em qualquer tipo de turbulência no bem-estar da tribo…
Quanto ao passeio propriamente dito, ouvi dizer que o grupo andou na zona de Covelas…
A terminar, justifico a expressão em epígrafe para traduzir o relato do acontecimento dominante deste dia. O canídeo, com fama de animal feroz que mordia tudo e todos, amainou perante a presença do Mesquita…
O número muito reduzido de índios que participou no passeio do passado Domingo constitui a nota mais saliente desta jornada. Aproveito para homenagear os 5 resistentes que não esmorecem e não dão descanso às bicicletas nestas horas em que o calor se torna numa companhia mais incómoda durante as pedaladas.
Por estes dias, o tempo convida os veraneantes ao comodismo e ao sedentarismo… Felizmente vai havendo quem contraria esta atitude negativista…
Por alguns momentos, também os Índios do Monte abdicaram da adrenalina e dos riscos físicos próprios do btt e das aventuras proporcionadas nas incursões pelas entranhas dos montes e acamparam junto à praia, em Vila do Conde, para relaxarem um pouco enquanto assistiam a uma aula de Spinning com o mar como cenário de fundo…
4 de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos da América!
Não tem nada a ver com os Índios do Monte, mas como eu não tinha mais nada para escrever, dada a minha ausência no passeio, achei por bem assinalar aqui esse facto…
A propósito, importa lembrar que a Declaração dos Estados Unidos da América defende a liberdade individual e o respeito aos Direitos Fundamentais do ser humano. Infelizmente os chamados países ricos esquecem-se disto constantemente…
Foi com grande satisfação que os Índios do Monte comemoraram o 1º Aniversário da Tribo. A ocasião justificava um evento especial, de forma a solenizar a passagem desta data.
Com o intuito de permitir a participação do maior número possível de elementos, este momento enfático foi assinalado com duas iniciativas distintas: um passeio de bicicleta e um jantar de confraternização.
A primeira iniciativa decorreu na tarde de Sábado e, como sempre, principiou no Café S. José. A ideia passava por fazer um passeio pela zona de Santo Tirso e proporcionar uma visita a Citânia de Sanfins (concelho de Paços de Ferreira), uma importante zona arqueológica da civilização castreja na Península Ibérica (por volta do século I a.C., classificada como monumento nacional.
A diversidade paisagística desta região, aliada às características dos trilhos percorridos, foi o antídoto ideal para combater o intenso calor que se fez sentir ao longo do percurso.
Este passeio serviu também para dois índios estrearem as novas bicicletas com que se auto-presentearam nesta data. A eles (Penouço e Nando Fruitas) e às suas respectivas desejamos desde já grandiosos passeios e aventuras memoráveis!
A segunda iniciativa surgiu ao início da noite, com os índios revigorados (e famintos!) a concentrarem-se novamente no Café S. José, desta vez para o esperado jantar de confraternização.
O aperitivo serviu de preâmbulo para o que seria o resto da noite: uma constante recordação dos diversos momentos de convivência dos Índios do Monte, com especial incidência na viagem a Santiago de Compostela e na efeméride que se registava neste dia.
Um dos momentos altos da noite foi naturalmente o “Parabéns a Você” cantado por todos e a respectiva fatia de bolo que assinalava o 1º Aniversário dos Índios do Monte.
Com o Verão a querer fazer-se sentir, os Índios do Monte compareceram à chamada com uma vontade imensurável de queimar calorias. No entanto, a tribo não imaginava as voltas trocadas que imperariam ao longo do percurso. Ainda não tínhamos percorrido muitos quilómetros e… um furo na bike do Nando a obrigar à primeira paragem do dia...
Mais alguns minutos de andamento e… novo contratempo! O grupo sentiu-se obrigado a retroceder para esmiuçar o terreno afim de procurar uma nota que resolvera abandonar o seu dono… Felizmente, dinheiro encontrado e caminho retomado!
O plano passava por pedalar até à Cividade de Bagunte ou, em alternativa, ao Monte de S. Félix (em Laúndos). Nestes entretantos, um novo furo (agora na minha bike) obrigava o grupo a nova paragem…
A adulteração dos planos iniciais conduziu a tribo de Balasar até ao Monte de Santa Catarina, local privilegiado para a prática do btt. A zona proporcionou algumas descidas alucinantes a intercalar os momentos de maior sofreguidão e a contemplação de trilhos absolutamente espectaculares.
A terminar a jornada, a boa disposição no habitual convívio no café S. José e a desagradável imagem de verificar um novo furo na minha bike (desta vez no pneu dianteiro)… Azaritos!!!
Depois de uma crónica “difícil” (reportagem de Santiago), eis que me surge a crónica mais fácil de sempre…
No passado Domingo, os Índios do Monte surgiram de farda nova para mais um passeio local. O percurso foi efectuado por diversos trilhos do concelho da Trofa…
Com um domingo solarengo cumpriu-se então mais uma etapa dos Índios do Monte, por alguns trilhos já conhecidos e outros novos... Com muitas ausências justificadas em parte pela peregrinação a Santiago de Compostela, apenas 3 elementos do grupo apareceram para este passeio.
Direccionados à cidade da Trofa lá seguiram os três Índios, subindo ao monte de Covelas em direcção a Lemende, passando pelo alto de Valdeirigo, aproveitando para no percurso admirar a construção decorrente da linha do Metro, seguindo-se o alto de Paradela em direcção a Lousado.
Percorremos 2 km para fazer uma visita a uma capela antiga de São Bartolomeu situada na zona da Varzea cujo restauro datava de 1967. Neste local os Índios descansaram alguns minutos e aproveitaram para recarregarem energias.
Lousado, Freguesia na qual tivemos de atravessar a tão famosa e antiga ponte romana, designada por “Ponte da Lagoncinha” (uma ponte com seis arcos, cinco corta-rios, e o seu tabuleiro mede cerca de 120 metros de comprimento e 4 metros de largura. Foi construída no século XII, provavelmente nas ruínas de uma estrutura romana que ligava Bracara Augusta a Cale, e foi classificada como monumento nacional em 1943).
Após a travessia do Rio Ave (um Rio todo ele português, nasce na Serra da Cabreira no concelho de Vieira do Minho, a cerca de 1200 metros de altitude, percorre cerca de 85 km até desaguar no Oceano Atlântico no gracioso concelho de Vila do Conde.) com o propósito de regresso a casa, seguindo pelo trilho já conhecido em “Pé de Prata” direccionado à harmoniosa Vila de Ribeirão, para a merecida e rotineira paragem no café S. José para refrescar um pouco antes do almoço.
Decididamente esta é a crónica mais difícil com que me deparei desde o início deste projecto “BTT Índios do Monte”… A grandeza e diversidade de pormenores que abrilhantaram esta viagem ao país vizinho obrigarão, por certo, a pecar na descrição desta aventura…
O desafio projectado no início deste ano apontava para um pensamento quase utópico de promover um passeio dos Índios do Monte a Santiago de Compostela. A ideia foi ganhando força e ficou definitivamente consolidada no passeio efectuado a Ponte de Lima no passado dia 8 de Maio.
Neste relato dos 3 dias de aventura de onze Índios do Monte, devidamente credenciados para a peregrinação a Santiago pelo Caminho Medieval Português, tentarei avivar a memória de todos os intervenientes e deixar um testemunho fidedigno aos nossos familiares e amigos.
1º DIA - 3 de Junho de 2010
O ponto de encontro habitual no Café S. José para o pequeno-almoço estava marcado para as 6:30 h. Devidamente apetrechados para a viagem, o grupo rumou ao monte do Moinho de Vento em direcção a Fradelos para os primeiros quilómetros que nos levaram através de Balasar até S. Pedro de Rates, para seguirmos as orientações das setas amarelas pelo Caminho Português. À porta do Albergue desta freguesia juntaram-se dezenas de bttistas e pedestrianistas para um carimbo obrigatório na respectiva Credencial do Peregrino.
Retomado o caminho, foi com alguma pressa que atravessámos a cidade de Barcelos na direcção de Ponte de Lima afim de concluir a primeira etapa programada, designadamente o almoço. O cansaço deu lugar à animação apesar da constatação geral de que a manhã tinha demonstrado que os alforges, sacos e mochilas eram uma âncora que teimava em contrapor as nossas tentativas de alcançar melhores velocidades…
O retorno à rota das setas amarelas decorreu normalmente até à freguesia de Labruja (concelho de Ponte de Lima). Sem razão aparente, a minha bicicleta pregou a partida da peregrinação… Passámos quase duas horas na tentativa de resolução do problema e o veredicto ficou traçado: avaria do cepo (na roda traseira).
A única solução que me ocorreu parecia-me óbvia e irremediável: abandonar o passeio e permitir que os outros elementos seguissem o plano definido. A resposta do grupo foi algo do género “não metas nojo… estamos contigo”… E da Labruja, passando por Rubiães, até Valença do Minho, a minha bike ( e eu!!!) foi rebocada pelo bravíssimo Mesquita, com a ajuda alternada dos outros Índios, cerca de 30 (trinta!!!) quilómetros.
Chegámos a Valença por volta das 21:30 h, tomámos banho no Albergue local (que se encontrava lotado…) e procurámos um restaurante para jantar cerca de 1 hora… A dormida foi despropositadamente fornecida pelo solo asfaltado do parque de estacionamento da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença… uma espécie de acampamento improvisado pelos Índios do Monte!
2º DIA - 4 de Junho de 2010
As camas improvisadas não esmoreceram o espírito do grupo e às 7:00 já tomávamos o pequeno-almoço numa pastelaria de Valença. Entre as 8:00 e as 10:00 o grupo percorrera várias artérias da cidade em busca de uma oficina para reparar a minha bicicleta. A solução foi encontrada por um subgrupo de 4 elementos que seguiram à frente para Tui. Substituída a roda danificada e com euros a menos, os Índios do Monte tinham perdido quase toda a manhã na resolução deste problema.
O almoço decorreu na cidade de Porriño e apesar do contratempo derivado da avaria da bike e respectiva resolução, o grupo conseguiu alcançar o Albergue de Caldas de Reyes em hora útil que permitiu o nosso alojamento. Devo realçar os quilómetros percorridos a um ritmo quase alucinante, numa corrida contra o tempo, que nos impossibilitou de apreciar devidamente a beleza histórica das cidades espanholas que percorremos (Tui, Porriño, Redondela e Pontevedra).
A estadia no albergue deu ensejo ao convívio com peregrinos de diversas nacionalidades e o acolhimento foi unanimemente considerado perfeito. O jantar nas imediações foi motivo de comemoração especial por verificarmos que as contrariedades tinham sido ultrapassadas com sucesso e que o nosso objectivo estava perto de ser alcançado…
3º DIA - 5 de Junho de 2010
Faltavam 45 quilómetros para chegarmos à Catedral, e o percurso foi desfrutado de forma redobrada, pela iminência do desafio prestes a ser superado e pelos trilhos repletos de peregrinos que, de forma quase cúmplice, nos desejavam um “Bon camiño!”…
Chegados a Santiago de Compostela, era altura de validarmos a nossa peregrinação e nem a farta fila de espera para entrar na Oficina afim de obtermos os nossos diplomas esmoreceu a felicidade do grupo.
Um passeio rápido pela praça e era hora de deixar Santiago de Compostela (até pró ano!), via comboio até à Trofa. O ambiente de festa reinou no regresso a casa e a nossa boa disposição não passou despercebida aos restantes passageiros, com alguns estrangeiros a aplaudirem os Índios do Monte de forma sentida e efusiva!