O número muito reduzido de índios que participou no passeio do passado Domingo constitui a nota mais saliente desta jornada. Aproveito para homenagear os 5 resistentes que não esmorecem e não dão descanso às bicicletas nestas horas em que o calor se torna numa companhia mais incómoda durante as pedaladas.
Por estes dias, o tempo convida os veraneantes ao comodismo e ao sedentarismo… Felizmente vai havendo quem contraria esta atitude negativista…
Por alguns momentos, também os Índios do Monte abdicaram da adrenalina e dos riscos físicos próprios do btt e das aventuras proporcionadas nas incursões pelas entranhas dos montes e acamparam junto à praia, em Vila do Conde, para relaxarem um pouco enquanto assistiam a uma aula de Spinning com o mar como cenário de fundo…
4 de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos da América!
Não tem nada a ver com os Índios do Monte, mas como eu não tinha mais nada para escrever, dada a minha ausência no passeio, achei por bem assinalar aqui esse facto…
A propósito, importa lembrar que a Declaração dos Estados Unidos da América defende a liberdade individual e o respeito aos Direitos Fundamentais do ser humano. Infelizmente os chamados países ricos esquecem-se disto constantemente…
Foi com grande satisfação que os Índios do Monte comemoraram o 1º Aniversário da Tribo. A ocasião justificava um evento especial, de forma a solenizar a passagem desta data.
Com o intuito de permitir a participação do maior número possível de elementos, este momento enfático foi assinalado com duas iniciativas distintas: um passeio de bicicleta e um jantar de confraternização.
A primeira iniciativa decorreu na tarde de Sábado e, como sempre, principiou no Café S. José. A ideia passava por fazer um passeio pela zona de Santo Tirso e proporcionar uma visita a Citânia de Sanfins (concelho de Paços de Ferreira), uma importante zona arqueológica da civilização castreja na Península Ibérica (por volta do século I a.C., classificada como monumento nacional.
A diversidade paisagística desta região, aliada às características dos trilhos percorridos, foi o antídoto ideal para combater o intenso calor que se fez sentir ao longo do percurso.
Este passeio serviu também para dois índios estrearem as novas bicicletas com que se auto-presentearam nesta data. A eles (Penouço e Nando Fruitas) e às suas respectivas desejamos desde já grandiosos passeios e aventuras memoráveis!
A segunda iniciativa surgiu ao início da noite, com os índios revigorados (e famintos!) a concentrarem-se novamente no Café S. José, desta vez para o esperado jantar de confraternização.
O aperitivo serviu de preâmbulo para o que seria o resto da noite: uma constante recordação dos diversos momentos de convivência dos Índios do Monte, com especial incidência na viagem a Santiago de Compostela e na efeméride que se registava neste dia.
Um dos momentos altos da noite foi naturalmente o “Parabéns a Você” cantado por todos e a respectiva fatia de bolo que assinalava o 1º Aniversário dos Índios do Monte.
Com o Verão a querer fazer-se sentir, os Índios do Monte compareceram à chamada com uma vontade imensurável de queimar calorias. No entanto, a tribo não imaginava as voltas trocadas que imperariam ao longo do percurso. Ainda não tínhamos percorrido muitos quilómetros e… um furo na bike do Nando a obrigar à primeira paragem do dia...
Mais alguns minutos de andamento e… novo contratempo! O grupo sentiu-se obrigado a retroceder para esmiuçar o terreno afim de procurar uma nota que resolvera abandonar o seu dono… Felizmente, dinheiro encontrado e caminho retomado!
O plano passava por pedalar até à Cividade de Bagunte ou, em alternativa, ao Monte de S. Félix (em Laúndos). Nestes entretantos, um novo furo (agora na minha bike) obrigava o grupo a nova paragem…
A adulteração dos planos iniciais conduziu a tribo de Balasar até ao Monte de Santa Catarina, local privilegiado para a prática do btt. A zona proporcionou algumas descidas alucinantes a intercalar os momentos de maior sofreguidão e a contemplação de trilhos absolutamente espectaculares.
A terminar a jornada, a boa disposição no habitual convívio no café S. José e a desagradável imagem de verificar um novo furo na minha bike (desta vez no pneu dianteiro)… Azaritos!!!
Depois de uma crónica “difícil” (reportagem de Santiago), eis que me surge a crónica mais fácil de sempre…
No passado Domingo, os Índios do Monte surgiram de farda nova para mais um passeio local. O percurso foi efectuado por diversos trilhos do concelho da Trofa…
Com um domingo solarengo cumpriu-se então mais uma etapa dos Índios do Monte, por alguns trilhos já conhecidos e outros novos... Com muitas ausências justificadas em parte pela peregrinação a Santiago de Compostela, apenas 3 elementos do grupo apareceram para este passeio.
Direccionados à cidade da Trofa lá seguiram os três Índios, subindo ao monte de Covelas em direcção a Lemende, passando pelo alto de Valdeirigo, aproveitando para no percurso admirar a construção decorrente da linha do Metro, seguindo-se o alto de Paradela em direcção a Lousado.
Percorremos 2 km para fazer uma visita a uma capela antiga de São Bartolomeu situada na zona da Varzea cujo restauro datava de 1967. Neste local os Índios descansaram alguns minutos e aproveitaram para recarregarem energias.
Lousado, Freguesia na qual tivemos de atravessar a tão famosa e antiga ponte romana, designada por “Ponte da Lagoncinha” (uma ponte com seis arcos, cinco corta-rios, e o seu tabuleiro mede cerca de 120 metros de comprimento e 4 metros de largura. Foi construída no século XII, provavelmente nas ruínas de uma estrutura romana que ligava Bracara Augusta a Cale, e foi classificada como monumento nacional em 1943).
Após a travessia do Rio Ave (um Rio todo ele português, nasce na Serra da Cabreira no concelho de Vieira do Minho, a cerca de 1200 metros de altitude, percorre cerca de 85 km até desaguar no Oceano Atlântico no gracioso concelho de Vila do Conde.) com o propósito de regresso a casa, seguindo pelo trilho já conhecido em “Pé de Prata” direccionado à harmoniosa Vila de Ribeirão, para a merecida e rotineira paragem no café S. José para refrescar um pouco antes do almoço.
Decididamente esta é a crónica mais difícil com que me deparei desde o início deste projecto “BTT Índios do Monte”… A grandeza e diversidade de pormenores que abrilhantaram esta viagem ao país vizinho obrigarão, por certo, a pecar na descrição desta aventura…
O desafio projectado no início deste ano apontava para um pensamento quase utópico de promover um passeio dos Índios do Monte a Santiago de Compostela. A ideia foi ganhando força e ficou definitivamente consolidada no passeio efectuado a Ponte de Lima no passado dia 8 de Maio.
Neste relato dos 3 dias de aventura de onze Índios do Monte, devidamente credenciados para a peregrinação a Santiago pelo Caminho Medieval Português, tentarei avivar a memória de todos os intervenientes e deixar um testemunho fidedigno aos nossos familiares e amigos.
1º DIA - 3 de Junho de 2010
O ponto de encontro habitual no Café S. José para o pequeno-almoço estava marcado para as 6:30 h. Devidamente apetrechados para a viagem, o grupo rumou ao monte do Moinho de Vento em direcção a Fradelos para os primeiros quilómetros que nos levaram através de Balasar até S. Pedro de Rates, para seguirmos as orientações das setas amarelas pelo Caminho Português. À porta do Albergue desta freguesia juntaram-se dezenas de bttistas e pedestrianistas para um carimbo obrigatório na respectiva Credencial do Peregrino.
Retomado o caminho, foi com alguma pressa que atravessámos a cidade de Barcelos na direcção de Ponte de Lima afim de concluir a primeira etapa programada, designadamente o almoço. O cansaço deu lugar à animação apesar da constatação geral de que a manhã tinha demonstrado que os alforges, sacos e mochilas eram uma âncora que teimava em contrapor as nossas tentativas de alcançar melhores velocidades…
O retorno à rota das setas amarelas decorreu normalmente até à freguesia de Labruja (concelho de Ponte de Lima). Sem razão aparente, a minha bicicleta pregou a partida da peregrinação… Passámos quase duas horas na tentativa de resolução do problema e o veredicto ficou traçado: avaria do cepo (na roda traseira).
A única solução que me ocorreu parecia-me óbvia e irremediável: abandonar o passeio e permitir que os outros elementos seguissem o plano definido. A resposta do grupo foi algo do género “não metas nojo… estamos contigo”… E da Labruja, passando por Rubiães, até Valença do Minho, a minha bike ( e eu!!!) foi rebocada pelo bravíssimo Mesquita, com a ajuda alternada dos outros Índios, cerca de 30 (trinta!!!) quilómetros.
Chegámos a Valença por volta das 21:30 h, tomámos banho no Albergue local (que se encontrava lotado…) e procurámos um restaurante para jantar cerca de 1 hora… A dormida foi despropositadamente fornecida pelo solo asfaltado do parque de estacionamento da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença… uma espécie de acampamento improvisado pelos Índios do Monte!
2º DIA - 4 de Junho de 2010
As camas improvisadas não esmoreceram o espírito do grupo e às 7:00 já tomávamos o pequeno-almoço numa pastelaria de Valença. Entre as 8:00 e as 10:00 o grupo percorrera várias artérias da cidade em busca de uma oficina para reparar a minha bicicleta. A solução foi encontrada por um subgrupo de 4 elementos que seguiram à frente para Tui. Substituída a roda danificada e com euros a menos, os Índios do Monte tinham perdido quase toda a manhã na resolução deste problema.
O almoço decorreu na cidade de Porriño e apesar do contratempo derivado da avaria da bike e respectiva resolução, o grupo conseguiu alcançar o Albergue de Caldas de Reyes em hora útil que permitiu o nosso alojamento. Devo realçar os quilómetros percorridos a um ritmo quase alucinante, numa corrida contra o tempo, que nos impossibilitou de apreciar devidamente a beleza histórica das cidades espanholas que percorremos (Tui, Porriño, Redondela e Pontevedra).
A estadia no albergue deu ensejo ao convívio com peregrinos de diversas nacionalidades e o acolhimento foi unanimemente considerado perfeito. O jantar nas imediações foi motivo de comemoração especial por verificarmos que as contrariedades tinham sido ultrapassadas com sucesso e que o nosso objectivo estava perto de ser alcançado…
3º DIA - 5 de Junho de 2010
Faltavam 45 quilómetros para chegarmos à Catedral, e o percurso foi desfrutado de forma redobrada, pela iminência do desafio prestes a ser superado e pelos trilhos repletos de peregrinos que, de forma quase cúmplice, nos desejavam um “Bon camiño!”…
Chegados a Santiago de Compostela, era altura de validarmos a nossa peregrinação e nem a farta fila de espera para entrar na Oficina afim de obtermos os nossos diplomas esmoreceu a felicidade do grupo.
Um passeio rápido pela praça e era hora de deixar Santiago de Compostela (até pró ano!), via comboio até à Trofa. O ambiente de festa reinou no regresso a casa e a nossa boa disposição não passou despercebida aos restantes passageiros, com alguns estrangeiros a aplaudirem os Índios do Monte de forma sentida e efusiva!
Como actividade que nos permite explorar trilhos e zonas rurais que habitualmente não são muito visitadas, o BTT mostra-nos com alguma frequência várias portas de um passado distante…
Diversas vezes mencionei nestas crónicas as subidas e descidas ao monte do Moinho de Vento… No entanto, nunca reportei convenientemente o motivo que dá o nome a este monte, no alto de Aldeia Nova. Para colmatar essa falha, fica aqui hoje o registo das ruínas do Antigo Moinho de Vento, localizado alguns metros depois de um marco geodésico. A assinalar este momento, e na falta de foguetes, surgiu o 1º estouro do dia…
Substituída a câmara de ar e retomado o andamento, oportunidade para mais um registo no mesmo monte de um símbolo caracterizando as cinco quinas da nossa nação: um marco da Casa de Bragança que delimita as freguesias de Ribeirão e Fradelos.
Após estes registos, os Índios assumiram o passeio previamente estabelecido e desceram o monte em direcção ao Rio Ave, de forma a acompanhar o seu leito até Ferreiró (Vila do Conde). Nesta localidade, seguimos novo trajecto até ao Monte da Cividade de Bagunte, para o merecido descanso e reforço de energias. A descida deste monte mostrou-se, mais uma vez, arrojada e algo ríspida e felizmente não promoveu nenhum acidente. A comemorar este êxtase de adrenalina, e na falta de foguetes, surgiu o 2º estouro do dia…
O regresso a casa decorreu de forma normal e o reforço final no café S. José proporcionou mais alguns momentos de harmonia entre o grupo.
O passeio deste fim-de-semana dos Índios do Monte concretizou uma ideia gerada em Fevereiro, na nossa participação no Enduro Trail’s, no sentido de percorrermos os mesmos trilhos em condições climatéricas menos adversas.
Assim, foi com aprazível ânimo que o grupo rumou até ao Muro (concelho da Trofa) para se regozijar com as paisagens primaveris e os trilhos técnicos que se deparavam à nossa passagem.
No desfecho desta sucinta crónica, fica o registo do saudável regresso do Coelho à actividade biciclista, o andamento mais débil do repórter :-) e um pneu rebentado que antecipou a paragem para o lanche…
E para terminar o passeio, nada melhor do que percorrer uma subidinha ao monte do Moinho de Vento para ganhar apetite para o convívio final no café S. José.
A ansiedade nunca presenteia os impacientes e o calendário parecia querer retardar a chegada deste dia, cuja agenda assinalava o passeio dos Índios do Monte pelo Caminho Medieval de Santiago a Ponte de Lima.
A expressão do dia foi indubitavelmente “Bon camiño!”…
Esta dica, por si só, povoa o registo de memórias dos oito intervenientes do passeio deste fim-de-semana. Ao longo do “camiño” foram dezenas os peregrinos estrangeiros que nos cumprimentavam afavelmente com a expressão “bon camiño” ou “bon diiia”, notando-se para além do sotaque acentuado e a tez clara, a manifestação de esforço e satisfação pela peregrinação que efectuavam.
Esta jornada unanimemente classificada com o carimbo “Excelente”, superou as expectativas mais optimistas do grupo. Desde a saída de Ribeirão até Ponte de Lima, onde almoçámos divinamente, e o retorno a casa o odómetro registou o impressionante número 128 km percorridos de bicicleta.
Quanto ao percurso propriamente dito, saliente-se a variedade de trilhos, caminhos e estradas. Esta miscelânea de pisos permitiu uma agradável multiplicidade de ritmos e proporcionou algum vislumbramento pelas paisagens fantásticas que se depararam pela nossa rota.
Da nossa parte, aqui fica um registo que não consegue fazer a devida justiça ao passeio…